Em 24 de maio, é comemorado o Dia Nacional do Café. Mas as homenagens à famosa bebida não param por aí: o Dia Mundial é celebrado em 14 de abril, enquanto o Dia Internacional ocorre em 1º de outubro. Tantas datas em torno de um único alimento demonstram a importância do grão — não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
Prova disso é o fato de que o café é a segunda bebida mais consumida mundialmente, ficando atrás apenas da água, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café. O especialista em café, Lucas Louzada, estima um consumo de aproximadamente 5 bilhões de xícaras tomadas por ano no mundo, o que representa um consumo médio per capita de 1,2 kg.
O futuro, no entanto, pode ser desafiador. Muitos já observam o aumento contínuo do preço do café, reflexo das dificuldades enfrentadas pelos produtores no cultivo do produto.
“Muito do que tem acontecido com o café é reflexo da mudança climática. Os produtores têm enfrentado cada vez mais dificuldades em produzir café, e isso não se restringe ao Brasil; outros países vêm passando pela mesma pressão no campo climático”, explica Louzada, que também é doutor em Engenharia de Produção.
A expectativa é que ainda sejam necessários alguns anos para que a situação se estabilize, e as pessoas devem se preparar para lidar com os desafios.
Primeiramente, é preciso que todos se conscientizem sobre as questões climáticas que têm afetado não só a produção do café, mas também de outros alimentos — além de provocar catástrofes de forma recorrente, como tem sido observado em todo o mundo nos últimos anos.
“É possível que a situação melhore dentro de cinco anos, se não houver novas catástrofes climáticas“, acredita o especialista.
Além disso, uma opção para garantir o cafezinho de todos os dias sem sobrecarregar tanto o bolso é adquirir produtos locais. “O ideal é que as pessoas valorizem o agroturismo e consumam bons cafés locais”, sugere Louzada. Dessa forma, é possível incentivar os pequenos produtores e, em contrapartida, ter acesso a um produto de qualidade superior, com bom custo-benefício.
O café nas montanhas capixabas
No Espírito Santo, segundo maior produtor de café do país — especialmente na região Serrana —, há uma significativa produção familiar de café. E quem muito tem contribuído para o sucesso da região é o Coffee Design Group, que nasceu no Instituto Federal do Espírito Santo – Campus Venda Nova do Imigrante.

Para driblar os atuais desafios da produção e elevar a qualidade dos produtos, os produtores da região Serrana capixaba podem contar com o Coffee Design, que realiza dias de campo, cursos para produtores rurais e análises de café, entre outras ações gratuitas.
“Temos, no Ifes Campus Venda Nova do Imigrante, um laboratório que é referência na América Latina — um patrimônio que deve ser muito valorizado. Dessa forma, o campus tem se tornado um celeiro de formação profissional, com vários egressos ocupando cargos de direção em empresas multinacionais ou tornando-se empreendedores“, finaliza o especialista em café Lucas Louzada.
